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- G.P. Estudos Literários Magrebinos Francófonos - UnB
- Brasília, DF, Brazil
- Cláudia Falluh Balduino Ferreira é doutora em teoria literária e professora de literatura francesa e magrebina de expressão francesa na Universidade de Brasília. Sua pesquisa sobre a literatura árabe comunga com as fontes do sagrado, da arte, da história e da fenomenologia em busca do sentido e do conhecimento do humano.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
Rachid Boudjedra: L'insolation. O êxtase pela iridescência iconoclasta. L'extase par l'iridescence iconoclaste.
Se o iconoclasmo entre os antigos significava - e significa ainda etimologicamente -, "ação de quebrar", e entre estes mesmos antigos (recuemos, caros leitores, até o nascimento do islã), a força etimológica era idêntica à mesma força física que quebrou, derrubou, dilapidou e destituiu os ícones considerados como objetos de adoração entre várias religiões que o islã não tolerou, a palavra evoluiu, contudo, e o sentido também. Para o bem da arte antiga e moderna, "y compris" a literatura.
Saltemos pois, leitores atletas, para adiante, rumo à modernidade aflitiva da literatura. O termo iconoclasmo migra para o universo literário, emprestado primeiramente do vocabulário da história das religiões, trazendo nos ombros a carga ansiosa de escritores ligados a um profundo desejo de contestação e repúdio ao que justamente se revela como a fonte primeira dos males, síncopes, atavismos e hipocrisias de uma certa sociedade.
Assim o iconoclasmo se revela dentro da literatura magrebina como o deslocamento de uma noção profundamente islâmica dirigida através da arte e da literatura, justamente e entre outros... ao islã.
Para mim uma das maiores vozes iconoclastas desta literatura é Rachid Boudjedra. Este mesmo espaço que já o saudou uma vez retoma sua obra fecunda e proteiforme e quer agora colocar em evidência um de seus romances capitais "L'insolation", como sendo a vitrine da virulência e da arte da palavra que lança os estilhaços iconoclastas diretamente na avidez do leitor. Este quer reagir à agressão (géneralisée...) mas é seduzido por ela, porque por detrás da força verbal com a qual Boudjedra ataca, escondem-se as fagulhas, as milhares de fulgentes e irradiantes fagulhas que envolvem este mesmo leitor, antes pronto a reagir com um manto luminoso da palavra que agrupa todos os sóis (in-sol), agora levado ao espaço mudo da contemplação textual, texto que se faz visão, alucinação, miragem.
Assim vemos o iconoclasmo Boudjedriano: estilhaços de palavras-sóis, retiradas da experiência do homem que explode mundos ignotos e banais pela palavra e os transforma em atmosferas romanescas de uma iridescência cruel e bela, que a todos nós impregna e convida ao êxtase.
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