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Brasília, DF, Brazil
Cláudia Falluh Balduino Ferreira é doutora em teoria literária e professora de literatura francesa e magrebina de expressão francesa na Universidade de Brasília. Sua pesquisa sobre a literatura árabe comunga com as fontes do sagrado, da arte, da história e da fenomenologia em busca do sentido e do conhecimento do humano.

sábado, 21 de julho de 2012

Driss Chraibi: um passado nada simples.




Nascido em Mazagan, (1926-2007), Driss Chraibi foi um dos mais brilhantes escritores magrebinos.
Revoltado contra as tradições arcaicas do Magreb, ele se atira rumo ao mundo ocidental que breve lhe trará igualmente decepções e agruras. Assim, Driss Chraibi desenvolverá uma prosa ardente atirando tanto para o nascente de suas tradições, quanto ao poente da decadência ocidental. Qual destino para um homem deslocado no mundo? A literatura.

Com o romance Le passé simple o escritor marroquino Driss Chraibi nos introduz desde o princípio
"...au coeur de la famille du Seigneur, un potentat marocain. Cet homme tranche au nom d'Allah: tout lui est bon pour faire fructifier son imense fortune; la religion s'enseigne dans la peur du corps et dans la désolation de l'âme, les êtres ne vivent pas, ils se contentent d'exister aussi bien les enfants que leur mère". 

Esta breve citação está longe de ressaltar o sentido profundo e dar uma idéia da vida frenética do texto de Driss Chraibi. Discipulo confesso de Faulkner, do qual herda e coloca em prática a técnica da fissão da cronologia, Driss Chraibi possui um estilo violento, rude, ardente. Exímio criador das atmosferas sutis que envolvem a vida de seus personagens, tradutor da vida íntima dos seres e das cidades, do silencio da prece ou da miséria das massas, ele lê profundamente os meandros da vida marroquina oculta pelos mucharabis, pelos tabus e pela tradição. Chraibi tratará de expurgar a revolta contra a lei paterna e as tradições. Através do personagem Driss Ferdi, um adolescente frenético ele criticará a religião islâmica, que segundo ele não passa de hipocrisia e rituais. tudo isso expresso através de um estilo violento, nervoso, excessivo e quase obsceno.
Quando foi publicado, em 1954, este livro teve uma repercussão bombástica, tanto na França quanto no Marrocos que lutava pela independência. Imbuído de rara violência, ele projetava o romance magrebino de expressão francesa rumo aos temas maiores: o peso do islã, a condição feminina na sociedade árabe, a identidade cultural, o conflito de civilizações.

Le passé simple, romance mundialmente conhecido não está traduzido para o português...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Emir Abdelkader, um nome para não se esquecer.


                                                            

O Grupo de Estudos Literários Magrebinos Francófonos apresentou na Universidade de Brasília, no dia 5 de julho passado em colaboração com a Embaixada da Argélia, um Seminário comemorativo dos 50 anos da Independência da Argélia.
É pouco conhecida no Brasil a eminência da figura do Emir Abdelkader, considerado o fundador do moderno estado argelino. Pois durante este seminário de muita importância a memória do Emir foi celebrada com emoção e muitas surpresas.
Homem de guerra, mas também fin lettré, o Emir Abdelkader foi um líder que reuniu esferas especialíssimas da inteligência e da sensibilidade, da erudição e do misticismo: o Emir era também um filósofo, poeta, escritor e teólogo sufi, autor de livros, reflexões místicas e políticas, era dono de um humanismo irradiante, além de um líder magnânimo.
Todas estas qualidades surpreenderam o colonizador francês, contra o qual o Emir lutou durante 17 anos após a possessão das terras argelinas.
Rendido, o Emir será exilado pelos franceses de forma longa e sofrida e terminará seus dias em Damasco, em 1883.
Sua trajetória é imensa para esta minúscula página, todavia queremos saudá-lo nesta data do cinquentenário e que esta celebração sirva como estímulo aos pesquisadores em literatura  sobre a magnitude dos escritos deste homem conhecido mundialmente como o grande líder argelino, dono de uma tolerância e de uma inteligência privilegiadas.
O Emir Abdelkader certamente vive nos corações de todos os argelinos.

            Cláudia Falluh e o Embaixador da Argélia, Sr. Djamel-Eddine Bennaoum durante o Seminário.