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Brasília, DF, Brazil
Cláudia Falluh Balduino Ferreira é doutora em teoria literária e professora de literatura francesa e magrebina de expressão francesa na Universidade de Brasília. Sua pesquisa sobre a literatura árabe comunga com as fontes do sagrado, da arte, da história e da fenomenologia em busca do sentido e do conhecimento do humano.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Literatura e espiritualidade : porque primeiro, era o verbo. Na Universidade de Brasília.


Dia 21 de maio, manhã e tarde, no Instituto de Biologia, auditório 4 - UnB.



     O Grupo de Estudos Literários Magrebinos sob a coordenação geral de Cláudia Falluh Balduino Ferreira apresentará dia  21 de maio a I Jornada Literatura e Espiritualidade. 
Longamente apartadas do ambiente acadêmico, perguntamos: de que natureza são as relações entre a literatura  e o sagrado, a espiritualidade, e as religiões? Como se resolvem do ponto de vista teórico e hermenêutico a espiritualidade e a criação literária, o imaginário e a memória? São estas e outras questões que serão debatidas nesta primeira jornada entre pesquisadores da literatura, da antropologia e da filosofia da religião.

São Marcos evangelista, manuscrito carolíngio. Detalhe.

Nomes como o antropólogo José Jorge de Carvalho nos elevará com Jalal u'Din Rumi e a poesia mística persa. Augusto Rodrigues esclarecerá os meandros da Performance social e dialógica da colonização: teatro e poesia das festas de Anchieta, Cristian Santos nos presenteará com o surpreendente Religiosidade maldita: a incidência do discurso anticlerical na configuração do corpo moderno. A filosofia das religiões estará presente na voz de Hubert Jean Cormier, que nos falará dos difíceis diálogos com o mundo islâmico do mundo antigo em Raimundo Lúlio, aventureiro do espírito: o diálogo interreligioso no Mediterrâneo do século XIV e Mônica Udler Comberg que nos dirá sobre A alma e seu anjo no sufismo de Ibn Arabi. Ainda neste espírito Anna More apresentará o lado feminino do espiritual com Mecánica e pasión en la poesia de sor Juana Inés de la Cruz,(Palestra em espanhol) seguida neste tom por Cláudia Falluh que discorrerá sobre A expressão positiva do sagrado, ou Baraka,بركة
pela presença da mulher no romance marroquino. Todos os convidados são Professores Doutores da Universidade de Brasília e da Biblioteca Redemptoris Mater.

Estas palestras serão entremeadas com concerto de violão (Villa-Lobos e Radamés Gnatalli, com o violonista Victor Santana)e muito chá marroquino!
   

O meu amigo querido Leonardo Boff, que carinhosamente fez o prefácio de meu livro A essência do cuidado (Santuário 2005) me escreveu recentemente e em sua carta dizia: "Acredito que não basta a razão intelectual. Precisamos resgatar a razão espiritual que se encontra no âmbito da razão cordial ou sensível. Mais e mais cosmólogos se dão conta de que uma Energia poderosa e amorosa perpassa todo o universo. Abrir-se a ela é sentir-se enlevado, encantado e carregado por uma Presença que ninguém sabe explicar. Fazer esta experiência é viver a dimensão espiritual em nós. O resultado é que ficamos mais sensíveis a tudo que é verdadeiro, justo, compassivo, enfim, nos fazemos mais humanos. Continue nesta busca, disse ele, pois nela se esconde grande parte da ansiada felicidade e paz humanas."

É neste propósito que realizo esta I Jornada Literatura e Espiritualidade aqui na Universidade de Brasília que ainda celebra o seu Jubileu, junto com o Instituto de Letras onde estamos.

Primeira Jornada, sim, porque Primeiro era o verbo.
Delícias do princípio de tudo...

Cláudia Falluh Balduino Ferreira.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

"L'Attentat", de Yasmina Khadra premiado em Hollywood.

   
O cineasta libanês Zouad Doueiri
 

É realmente espantoso o modo como a história influi nos "corações e mentes" da humanidade. Para o historiador tunisiano do século XIV, Ibn Haldun, "... A história é a meditação e o esforço  para ascender à verdade, explicando com fineza as causas e as origens dos fatos..." (Almuqaddimah). Depois do atentado de 11 de setembro, em que os americanos viram a consolidação de seus piores pesadelos, inúmeras vezes trombeteados pelos estúdios cinematográficos deste país e tendo como sede a cidade de Nova York, é sabido que algo mudou e para sempre. De lá para cá, infelizmente os incidentes desta natureza se repetiram, culminando agora com o atentado terrorista em Boston, em que mentecaptos se vêem no direito e na obrigação de arrancarem as pernas e trucidarem pessoas em nome do recalque e do atraso que os fazem, desde o negror dos tempos, perdedores contumazes.
     Mas, ainda assim, ver um filme portando esta temática nas telas hollywoodianas é no mínimo um sinal explosivo dos tempos.
     Mas voltando ao cinema,  Hollywood surpreendentemente (ou não...) acaba de premiar o filme "O atentado", baseado no romance do escritor argelino Yasmina Khadra. O filme recebeu o Premio do público e o Prêmio especial da crítica no 17º festival Colcoa do filme francês em Hollywood, anunciado dia 22 de abril, segunda feira passada, pelos organizadores do encerramento do festival. O filme recebeu também um novo prêmio criado este ano, o Coming Soon Award. O atentado, (The Attack) é uma produção que une vários países ( França, Bélgica, Qatar e Egito). É escrito pelo libanês Zouad Doueiri e sua esposa Joelle Touma e ao realizá-lo as intensões da dupla era "ir além das evidências que todos conhecem ligadas ao antigo e todavia moderno conflito Israel-palestina (...) e propor uma outra visão, uma outra maneira de pensar-lo".

A trama e o autor do romance, Yasmina Khadra.

No romance "O atentado", do argelino Yasmina Khadra, (Sá Editora, 2006, tradução de Ana Montoia) Amin Jaâfari, um cirurgião palestino de sucesso e bem integrado em Israel descobre que sua esposa, de origem palestina é a autora de um atentado suicida em Tel Aviv. A perplexidade de descoberta leva Amin   a  tomar a ponta do longo fio de intensões, tramas, mistérios que o conduzirão ao núcleo da confecção do atentado: um ambiente onde se misturam bem combinados a miséria, a revolta, o integrismo, o fundamentalismos e todos os "ismos",  sazonais ou não, que geram o terror. Apesar destas constatações, Yasmina Khadra tenta colocar o lado humano dos homens e mulheres bombas, que, ainda que motivados por uma intensa "lavagem cerebral" são seres vindos de famílias humildes, que sofreram perdas inexoráveis durante a existência. A posição de Yasmina foi muito combatida e criticada pela mídia nos inúmeros debates que ele frequentou  na televisão francesa e internacional.

Veja o trailer do filme

Miniatura
https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=GDDziAQISbY

     Para François Truffart, lo diretor e programador do festival americano de Colcoa, os prêmios recebidos por Zouad Doueiri, graças ao "O Atentado", "coroa de êxito nossa estratégia de programação que consiste, há dez anos, em oferecer uma seleção de filmes destinados a vários públicos", declarou. 
            
O filme será lançado na França dia 29 de maio próximo e dia 21 de junho nos Estados  Unidos.