Conheça-nos.

Minha foto
Brasília, DF, Brazil
Cláudia Falluh Balduino Ferreira é doutora em teoria literária e professora de literatura francesa e magrebina de expressão francesa na Universidade de Brasília. Sua pesquisa sobre a literatura árabe comunga com as fontes do sagrado, da arte, da história e da fenomenologia em busca do sentido e do conhecimento do humano.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Leila Sebbar

Nossa escritora do momento a romancista franco-argelina Leila Sebbar.


Leïla SEBBAR nasceu em Aflou (departamento de Oran) de pai argelino e mãe francesa, ambos professores. A obra de Leila, vasta e pluriforme, se debruça sobre as questões do universo da mulher, em denúncia, em reflexões, em exercício constante sobre a sua posição no mundo argelino, esmiuçando seja a infância, seja a maturidade feminina. Mas não busquemos doçuras na obra de Leila Sebbar: ela prefere explorar os recônditos e obscuros territórios "... où s’invente un monde qui mêle l’intime et le politique, l’intime et le poétique, où s’exerce un regard qui rend visible l’invisible d’un réel déplacé, complexe, souvent violent."

Os relatos de viagem de Leila Sebbar me remetem a Isabelle Eberhardt (1877-1904) e o trecho que aqui publicamos é na intenção destas duas mulheres viajantes do mundo argelino, tanto em peregrinagem pelas vastas estepes quanto pelo imaginário profundo. A aquarela de Leila Sebbar sabe ser de um cromatismo ao mesmo tempo cru e terno, multifocal e verdadeiro.

Nossa saudação à Leila Sebbar e aos leitores desta página, desejando-lhes bons momentos e novas descobertas nos links e  vídeos que se seguem.



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Meddeb



O tunisiano Abdelwahab Meddeb. Saberes iniciáticos para leitores mais que iniciados.

Conhecer a obra de Abdelwahab Meddeb pode ser um périplo surpreendente por labirínticos saberes. Mas há saída, desde que o leitor entre segurando o fio de Ariadne. Aí então ele descobrirá os caminhos da erudição que o sábio de Tunis oferece, guiando-nos com sua tênue lanterna e envolto em seu manto rústico. Assim vejo Abdelwahab Meddeb: o eremita. Mas se o simbolismo das cartas do tarot seduz, vou adiante e uno a imagem deste escritor tunisiano  - autor de A doença do islã, e Phantasia, uma ode caleidoscópica ao mundo da beleza, da sensualidade -, à imagem da carta tarótica que simboliza o Papa. Porque é da sensualidade evocada com requinte e vigor unida ao alto grau de sabedoria que brota o misticismo presente em Tombeau d'Ibn Arabi.   

Segue trecho deste livro. Somente para leitores iniciados. 

"Salut à toi le nostalgique, l'orphelin, l'ami enfoui dans la touffe de la douleur, retourne à la lumière sonore qui, de la source, jaillit, toi, le reclus, qui dédies ton jeûne, ta pénitence, ton exercice, tes saisons, maintenant tu quittes l'hermitage, tu sors de l'hivernage, ne recule pas au jour de la rencontre, ne conturne pas le lit à baldaquin, où tombent molles tes tentures, autel qui sent les entrailles, près du lac qui réfléchit le bleu du ciel, ton coeur est une lampe qui brûle, tu jettes à pleine main la braise, ta gorge rythme les pulsions de l'eau qui, hors la roche, surgit, et toi qui guide les dociles chamelles, baisse l'étendard près de la stèle, là-bas, au carrefour, halte aux plis du parcours, repose une heure et salue, avant d'aller vers les coupoles rouges, qui paraissent au loin, à l'horizon de la fiévre, salut à toi le nostalgique, l'horphelin, l'éploré, si l'on répond à son salut, que ton don soit de beauté, si l'on ne dit mot, continue ta route, traverse le fleuve, ne parle pas à la troupe, à la tribu, passe entre les tentes blanches, qui étalent leurs ombres sur les lévres alines, et jèle les amantes toutes, Judith et Aya, Hind ou Héra, demande-leur de te montrer le chemin, de l'éclatante blancheur qui scintille, entre les cimes."