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Brasília, DF, Brazil
Cláudia Falluh Balduino Ferreira é doutora em teoria literária e professora de literatura francesa e magrebina de expressão francesa na Universidade de Brasília. Sua pesquisa sobre a literatura árabe comunga com as fontes do sagrado, da arte, da história e da fenomenologia em busca do sentido e do conhecimento do humano.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Falece a socióloga e escritora marroquina Fatéma Mernisse



Fatéma Mernisse 1915-2017

Durante as inúmeras postagens (é assim que atualmente a tecnologia nos convida a chamar as nossas impressões sobre o mundo e as crônicas que hoje fazemos sobre ele) deste querido espaço, o Blog Literatura Magrebina Francófona, que desde 2011 vem informando o Brasil sobre os mundos magrebinos, muitas foram as surpresas e as vivências, pois o espaço aqui é dinâmico. Conhece-se autores, escritores, admiradores destes e vamos assim em uma roda viva com a literatura que não pode ser outra coisa que vida abundante e vária.
Da mesma forma como celebrei aqui vários autores iniciantes, desejosos de espaço e visibilidade, humildemente retratei figuras imponentes da literatura, que certamente não precisam mais de espaço, pois já tomaram o mais precioso deles, o coração de seus leitores. 
E também tive momentos de muita emoção como o que atravesso hoje, sabendo do falecimento da magnífica Fatéma Mernisse. 
Fiz no passado, em 2012, uma crônica sobre ela aqui. Impressionou-me a coragem desta matriarca, que colocou-se de forma ousada e insólita para os padrões da sociedade onde viveu.  Foi com muita emoção que soube de seu desaparecimento.
Certos nomes e pessoas nos tiram da letargia dos dias, do lugar comum das notícias por mais escabrosas que sejam e nos fazem olhar para dentro de nós mesmos e tentarmos resgatar as boas coisas que temos (modéstia às favas...) e que ficam ocultas pela sensação de que o mundo não vale a pena nossas intensões poéticas, ou espirituais, e que o melhor será nos resguardarmos atrás de um silêncio de chumbo que fará escudo entre nós e o 'mundovastomundo', na visão drumondiana e suas vicissitudes anuladoras do amor e da inspiração. Fatéma Mernisse é uma dessas pessoas capazes de restituir pela simples lembrança de sua personalidade um alento e uma vivacidade às almas abatidas e aflitas perdidas que está a sua vontade de criar e conceber, gerar e lutar. Fatéma Mernisse é uma inspiração, é um nicho de luz, é uma voz que não se calará porque conseguiu instruir corações e mentes! Seu falecimento é como a subida de uma estrela (adorável clichê) e também o encerramento de um mundo, a finalização de uma etapa que esta modernidade inibidora, infelizmente poderá não mais saborear. 
Sim, os discursos sobre os que se foram são muitas vezes pessimistas. É um momento em que olhamos para a nossa própria impermanência, e não raro, tombamos absortos e desanimados. O bom ânimo vem com os tempos cíclicos sagrados, seja lá Ramadã, Páscoa, Natal ou outro, para os que possuem espiritualidade, ou com o novo dia que surge em um céu para onde sequer olhamos mais ultimamente, presos em teclados e telas. De qualquer forma, não se deve evitar ou reprimir sentimentos, seja a tristeza ou o pesar. O momento de chorar Fatema Mernisse é agora, neste dia, com todas as mulheres, sejam aquelas que frequentaram seus feéricos haréns, sejam aquelas, incógnitas, que nos cruzam partout veladas ou não, todas nós mulheres, certamente hoje perdemos uma matriarca e choraremos um pouco, Depois voltaremos a olhar o céu.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

"Mundos árabes: poéticas, estética e testemunho dos desertos."


"Mundos árabes: poéticas, estética e testemunhos dos desertos."

Chamada para publicação da Revista Cerrados, número 42, Volume I/2017

Imagem de Diaa Azaoui, artista iraquiano.

Do Golfo ao Mediterrâneo, do Iraque à Palestina, da Síria ao Marrocos, de Andaluzia à Africa, os entrecruzamentos do mundo árabe querem trazer à luz seus mais íntimos Diwans e sua poética.
É tempo de deixar que os ventos de verdade e de pureza soprem sobre os conteúdos literários destes mundos árabes e tragam à superfície a beleza do conhecimento do homem através do texto que passa por todas as fronteiras desta multiculturalização essencial, saindo assim das tendências gregárias obliterantes e marginalizadoras que confinam este mesmo mundo árabe ao desconhecimento pelo outro e do outro.


No âmbito da plural literatura árabe, a questão identitária, as sucessivas e dramáticas diásporas, o dano integrista,  as migrações e êxodos, os colonialismos e os pós-colonialismos, as tradições e prelúdios que permeiam a narrativa e a poesia árabe, a gênese poética, a crítica e os diálogos entre esta mesma literatura e as artes – assim como as expressões iconoclastas, são temas visados neste número.  Eles vão pari passu com a geração da narrativa, as estratégias do sentido, as metamorfoses do imaginário que quer conhecer a psicologia do romance árabe, sem esquecer desejo e memória inalienáveis, sagrado e profano inconsúteis, masculino e feminino em suas (quase) inconciliáveis vivências.  
Qual a contribuição da crítica intelectual ocidental e oriental – não contradizendo Goethe, antes relembrando-o   _  a estes acontecimentos que levaram à uma metamorfose da literatura? Quais cânones e sistemas de valores são montados e desmontados, quais reações de aceite ou de pura recusa são erigidos quando o texto é um texto árabe?

Estas referências literárias que ultrapassam as fronteiras rumo a formação de um sentido literário expandido de Mundos Árabes diversos é que são os objetivos do número 43, volume I do ano de 2017 da revista Cerrados. Prazo de entrega 30 de abril de 2017.

Cláudia Falluh Balduino Ferreira
Editora-Chefe

A editoria da revista Cerrados aceita artigos em  inglês, francês e espanhol e para este volume, em árabe.