As primeiras
manifestações da representação da mulher na obra do escritor
marroquino Tahar Ben Jelloun surgem do silêncio oculto e umbroso da infância.
Primeiro emerge a imagem da Mãe, pureza
recôndita, inocência várias vezes tentada, mas jamais seduzida, que traz a vida
e organiza o caos. Segundo o texto sagrado dos muçulmanos, a mulher é aquela em
quem a vida se esconde “... sob os três
véus de trevas: âmnion, útero e ventre”. (surata Az-Zumar). Sobre ela o autor dirá:
Je suis né de la souffrance
d’une procréatrice qui a coupé le cordon ombilical de l’endurance dans le sang
aveugle.
Ma mère, une femme.
Ma mère, une épouse
Ma mère, une fillette qui n’a
pas eu le temps de croire à sa puberté.
Ma mère je t’écoute.

Neste romance essencial
estão expostas as primícias das personagens femininas que levarão Ben Jelloun rumo
aos grandes prêmios da literatura mundial. Como um sutil comprador nas
prateleiras da vida humana, o autor recolhe em um grande cesto os avatares
femininos que o vivido envolto de rara felicidade e de fatalidade abundante propõe
e depois os instala em sua coletânea livresca feita de milhares de rostos
femininos emparelhados na estante romanesca da mescla e da pureza que faz sua
obra.

Harrouda é a chave do enigma de todos os romances de Tahar Ben Jelloun.
Por Cláudia Falluh Balduino Ferreira
Por Cláudia Falluh Balduino Ferreira
Edição utilizada : Harrouda. Paris: Futuropolis/Gallimard. 1991. Ilustrações de BAUDOIN.